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MADRUGADA JUNTO AO MAR |
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2009/5/22 A INFALÍVEL PRESENÇA DAS ESTRELASA infalível presença das estrelas
constrange o olhar que a elas se propõe
a exorcizar o ritmo da vida
vertendo em beijos lábios exauridos
e em presença o manancial do peito
que já não tem por onde mais vagar.
Constrange o canto que fluía em êxtase,
certo e seguro do esperar finito
de horas outras onde debruçar
seu abstrato rumo e seu afável instinto
e já não busca mais onde ancorar.
Esbarra na invariável turbulência
de coisas mais que pelo seu caminho
se vão juntar à visceral essência
das orquídeas, begônias e jasmins
que florescem sem ter noção do fim.
Assim, pois, oh turbulenta aurora,
apaga este vestígio da presença
confusa e conturbada das estrelas
pois me constrange o olhar que sempre a vê-las
foge ao embalo frágil da memória.
Celina Bittencourt.
2009/5/20 PARA PENÉLOPE - IIAprendo contigo as mais ingênuas brincadeiras
e com uma sílaba apenas me contas as melhores estórias.
Ah! Como é bom saber de palácios e princesas
e trazer a certeza dos contos de infância!
Teus lábios rosados sabem muito bem o valor das palavras;
titubeiam na pronúncia mas transmitem a figura que em tua memória
é nova e fresca como as pétalas da rosa.
A teu lado sou uma velha e súbita criança
embevecida e alheia ao resto do mundo
mas mergulhada no pequeno lago da tua infância.
Celina Bittencourt.
PARA PENÉLOPE - IOntem brincavas com teu grande urso de pelúcia
no quarto, junto ao berço em que costumas dormir
teu longo sono sem sustos.
Em teu colo de bichinho indócil o urso era domado
e em nenhuma hipótese gostaria de fugir
ao abraço puro com que o acalentavas.
Seus vagos olhos te olhavam e eram planícies de agrado
quase líquidas, no brilho dissimulado entre os cílios quentes
onde se concentrava a espessura do teu olhar inocente.
Celina Bittencourt.
2009/5/18 ANTES HOUVERAAntes houvera te capturado
na hora certa em que as lagoas dormem
quietas
paradas.
Por que forjei este silêncio árduo,
uma distância tão cruel, adversa
ao juvenil enlevo do teu sonho amado?
Jamais julgara a dor desta saudade
tão forte, ardente,
ávida, fremente
a me forçar a alma e a me toldar a mente!
Oh triste vida, ilusões, esperas,
regresso breve ao antes do que era,
farta, vencida, dolorida, insone
sem ter aceito o teu afável amor.
Pois
antes houvera te capturado
na hora certa em que as lagoas dormem!
Celina Bittencourt.
2009/5/16 QUANTA TRISTEZA
QUANTA TRISTEZA
Quanta tristeza neste dia lindo e claro e doce no tanger da brisa que afoga mágoas e suscita gritos suspensos na garganta em vago e vão delírio.
Saberás por acaso o rumo dos meus passos que há muito tempo devagar se afastam? Conheces, infantil, o nome que me davas a cada instante suscitando agrados?
Suponhamos que ontem me chamavas lírio e que entre fontes nos banhamos nus tontos e tolos a tremer de frio no frio toque de um viver comum.
Logo depois já me chamavas nuvem com o mesmo empenho e plácido sorriso puro, bailando nesses lábios úmidos meio inconscientes, quase sempre fúteis.
Pois vejas bem que o dia é lindo e triste afogando ilusões, inércia, dúvidas mandando ao infinito esta saudade que arrasta o meu viver servil e inútil.
CELINA BITTENCOURT
AQUI ESTOU TE RECORDANDO...Aqui estou te recordando e quando
a lua espalha pelo mar reflexos,
ondas se atiram à praia e de repente
desfazem passos, dissolvem teu perfil,
tornam-te nada, areia e tépida planície.
É muito triste respirar o espaço
lembrar que ali, bem junto a mim estavas
cantando a música da qual, eu sei, acordes guardas
e sussurros, sons, segredos, quase vozes.
Ah solidão que nesta noite breve
me fazes soluçar amores outros
tão curtos e imperfeitos no carinho
e tristes, soluçando estreitas mágoas
quando a ti desde o iníciar do tempo
reservei o beijo mais ameno e doce
e o amor sagrado que jamais foi dado.
Celina Bittencourt.
2009/5/14 SINTO SANGRANDO EM MINHAS MÃOSSinto sangrando em minhas mãos espinhos
profundos, finos, afiados, novos
que em algum dia em minhas mãos cravaram
deixando impresso o ímpeto das rosas.
e junto a eles reservei palavras
chamava-os belos, meigos, cativantes
pensava-os amigos no correr do sangue
no gotejar contínuo, lento, na calçada.
Foi quando olhei teus olhos e ao olhar preví
a dor que escorre e forja e dócil lembra a flor
martirizada implume morta no frescor
da tíbia primavera dos jardins.
E as mãos exangues, estendidas, frouxas,
me fizeram lembrar que em tempos outros
havia primaveras bem mais belas
com flores vivas suspirando amores.
Celina Bittencourt.
2009/5/13 ESTA FOI A PAISAGEM MAIS LINDAEsta foi a paisagem mais linda que meus olhos gravaram
e que, retida nas pupilas, respira e vive leve como um pássaro
uma nesga de espaço, sons de liberdade
pulsar contínuo de um infinito estável.
Aprazível campina, verde de capim
esta afinal, é a paisagem que guardei de ti
e nela havia alguém que a mim amava
e seu amor era tão claro e quente
que de lembrá-lo me confunde a mente.
Ah! Teus passos jamais me alcançariam
por raros atalhos te fugia ao alcance
enquanto a mim bastava um olhar, um lance
e apenas as palavras do teu canto
que me agitavam quais trigais ao vento.
Eras igual a todas as pessoas
que amando por amar, fogem às lembranças
e as deixam longe, longe, se esvair ao vento
de cada madrugada incandescente.
Celina Bittencourt.
2009/5/12 QUANTA TRISTEZA!Quanta tristeza neste dia lindo / e claro e doce no tanger da brisa / que afoga mágoas e suscita gritos / suspensos na garganta em vago e vão delírio.
Saberás por acaso o rumo dos meus passos / que há muito tempo devagar se afastam? / Conheces, infantil, o nome que me davas / a cada instante suscitando agrados?
Suponhamos que ontem me chamavas lírio / e que entre fontes nos banhamos nus / tontos e tolos a tremer de frio / no frio toque de um viver comum.
Logo depois já me chamavas nuvem / com o mesmo empenho e o plácido sorriso / puro, bailando nesses lábios úmidos / meio inconscientes, quase sempre fúteis.
Pois vejas bem, que o dia é lindo e triste / afogando ilusões, inércia, dúvidas / mandando ao infinito esta saudade / que arrasta o meu viver servil e inútil.
Celina Bittencourt.
2009/5/11 ANDAM DIZENDO POR AÍ...Andam dizendo por aí que o nosso amor morreu / que os nossos sonhos juvenís se desfizeram em pó / em nuvens intranquilas em estrelas cadentes / caídas não sei onde e nem sei porquê.
Pois falam coisas tão terríveis que não me amofino / o que importa mesmo é o que de fato somos / amantes liberais repletos de paixão / de incontrolados versos e de fáceis rimas.
De nosso antigo e plácido carinho / erguemos torres verticais só a nós dois possíveis / com mil janelas abertas para o espaço / e flores perfumadas para os passarinhos.
Cantigas enternecem cada anoitecer / coros de vozes finas, delicadas / dedos etéreos dedilhando harpas / ávidas formas de eternal prazer.
Pelos recantos acontecem beijos / fogosos, redivídos de antigos desejos / e os corpos se contorcem perturbando a mente / tornando-a sublime assim de repente.
Podem dizer que o nosso amor morreu / e coisas mais patéticas, críticas incríveis / nada interesse pois pessoas mentem / e o nosso amor, sabemos, é indestrutível.
Celina Bittencourt.
Agradeço a sua visita!
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